7 de abril 2022

Por: Porvir *    Fonte: Porvir

De professora da rede pública de ensino à indicação ao “Nobel da Educação”, Débora Garofalo conta como seu projeto, publicado pela primeira vez em 2016 no Porvir, ganhou o mundo
por Débora Denise Dias Garofalo 7 de abril de 2022

Porvir 10 anos
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Em 2016, no texto “Professora ensina robótica a partir de sucata”, da seção Diário de Inovações do Porvir, descrevi os primeiros passos do trabalho Robótica com Sucata, que hoje é uma política pública e ficou nacionalmente e internacionalmente conhecido.

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Foi o primeiro espaço da mídia no qual o projeto apareceu. Nessa época, tudo estava bem no início. Íamos (os alunos e eu) descobrindo maneiras de ressignificar a escola, o aprendizado e de resolver problemas sérios na comunidade e na vida dos estudantes. Um desses problemas era a questão do lixo e como transformá-lo em objeto de conhecimento, além de permitir que a autoestima desses meninos e meninas pudesse ser elevada, já que eles não se sentiam capazes de aprender robótica. Tentamos, assim, encontrar formas de traduzir sentimentos e dar voz à juventude da periferia.

Não poderia imaginar que aquele trabalho inicial na Escola Estadual Almirante Ary Parreiras, na Zona Sul da cidade de São Paulo, iria gerar novas maneiras de ensinar e aprender. E que também seguiria um caminho longo de transformação do território educativo na própria unidade escolar, transformando-se em uma metodologia de ensino atualmente replicada em todo o estado de São Paulo, no nosso país e fora dele.

No mesmo ano do texto publicado no Porvir, estruturamos o trabalho com foco na resolução do problema do lixo. Traçamos juntos como iríamos trabalhar – aulas públicas, conversas com a comunidade; recolhimento de materiais de sucata e eletrônicos; separação e lavagem destes materiais; parcerias com ONGs de recicláveis para vender o que não seria utilizado (trazendo o pilar do empreendedorismo); pesquisas e atividades mão na massa para criar protótipos com diversas funcionalidades; além de feira de tecnologia para encontrar a comunidade, levando os estudantes a assumir o protagonismo juvenil.

No início, eles queriam construir coisas que não possuíam, como robôs, carrinhos, aviões, barcos… E, com o tempo, passaram a pensar em como solucionar problemas da comunidade e da própria escola. Com o “mão na massa”, construíram jogos, criaram faróis de acessibilidade e foram além, desenvolvendo até mesmo dispositivos para economizar energia. O trabalho começou a mobilizar as áreas do conhecimento, a trazer pilares essenciais à educação, como a sustentabilidade, a criatividade, a colaboração, a empatia e a resolver questões sociais como de gênero e de combate ao trabalho infantil.

No ano de 2017, recebemos o prêmio de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo e não imaginamos que seria o primeiro de 12 prêmios, tais como o Prêmio de Professores do Brasil, Medalha de Pacificadores da ONU (Organização das Nações Unidas), Prêmio de Aprendizagem Criativa do MIT (Massachusetts Institute of Technology), dentre outros.

O trabalho teve resultados sólidos, como redução da evasão escolar, melhora no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), retirada de mais uma tonelada de lixo da comunidade do bairro Cidade Leonor e a melhora na autoestima dos estudantes. Com este trabalho, em 2019, me tornei a primeira mulher latino-americana a chegar na final do Global Teacher Prize, que é considerado o Nobel da Educação, ficando entre os 10 melhores professores do mundo. Para mim, o resultado alcançado sempre foi mais do que isso, e consistiu em elevar a escola pública brasileira ao nível mais alto do mundo e mostrar às crianças e jovens que são capazes, e que não é o lugar onde nasceram que determinará aquilo que podem ser e fazer.

No ano de 2019, também aceitei o desafio de ingressar na Secretaria Estadual de Educação de São Paulo e liderar as ações de tecnologia e inovação, ao implementar o componente curricular de tecnologia e inovação e levar o trabalho de robótica com sucata para 3,5 milhões de estudantes e mais de 5 mil escolas de todo o Estado.

O trabalho com tecnologia e inovação também se tornou uma metodologia de ensino e, na própria secretaria estadual, foi inspiração para criação de políticas públicas como a Expo Movimento Inova, que reconhece e valoriza boas práticas inovadoras de educação, por meio de categorias como Feira de Ciências e a Mostra Interativa de Robótica e Aprendizagem Criativa. Além disso, merece destaque o Centro de Inovação da Educação Básica Paulista (CIEBP), que é composto por sete espaços que dialogam entre si para que estudantes e professores tenham a oportunidade de vivenciar atividades práticas de criação no hub de inovação, programação descomplicada, cultura maker, cultura digital, robótica, modelagem e prototipagem.

Recentemente, o trabalho foi consolidado em um livro intitulado “Robótica com Sucata”, pela Editora Moderna, que traz a oportunidade a professores e estudantes dos anos iniciais e finais de trabalharem com o tema em formato de almanaque e com atividades mão na massa. E desejo mais, que o trabalho possa estar em todas as escolas do nosso país, não apenas pelos resultados, mas por propiciar uma transformação na forma de ensinar e aprender e dar voz a milhares de professores e estudantes!

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