Além da tela: educação financeira e os desafios da era digital nas escolas
Por Estevão Gomes Marques
Em um momento de “faz de conta” sobre ir ao mercado, é comum que as crianças estipulem, facilmente, um preço a ser pago e, em contrapartida, é certo que elas vão conseguir arcar com o “valor” na brincadeira delas. E dentro dos jogos digitais, é assim que funciona? Segundo o Cetic, Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, entre 2015 e 2024 os números de usuários de celular entre 6 e 8 anos subiram de 41% para 82%. Isso significa que nós temos, cada vez mais cedo, crianças conectadas e que brincam de maneiras diferentes. Essa discussão toma outros rumos quando vemos que dentro desses jogos existem as possibilidades de compras para atingir um status ou ser um melhor jogador.
Em 2025, a lei de número 15.100 discorre sobre como deve ser o uso dos celulares na escola. Entre os artigos dispostos, é apresentada a proibição do uso de aparelhos eletrônicos na escola e explica-se como eles devem ser utilizados. Dentre as opiniões obtidas a partir deste feito, é certo que existam aquelas que concordam que a proibição ajuda, mas se estamos em uma sociedade hiperconectada, por que buscar a restrição e não uma melhor instrução?
Este pensamento surge porque o ambiente escolar, em muitos casos, mostra a ponta do iceberg que é a vida da criança ou adolescente. Com o tempo, os jogos eletrônicos, a influência digital e a facilidade podem dar lugar às apostas, o famoso “tigrinho”. Segundo o levantamento ‘A study of adolescents’ knowledge, attitude and practice to gambling’ (‘Um estudo sobre o conhecimento, atitude e prática dos adolescentes em relação ao jogo de azar’, em tradução livre) da Unicef 22% dos adolescentes entrevistados relataram ter feito sua primeira aposta em jogos de azar aos 11 anos ou menos, enquanto a maioria (78%) começou aos 12 anos ou mais.
A BNCC prevê que os estudantes tenham acesso à educação financeira dentro da escola de forma transversal, aparecendo em todas as matérias. Então, por que não buscar uma inovação a partir do que os jovens têm em mãos? Em um exercício de geografia, história e matemática, em sala de aula, os alunos podem utilizar seus recursos para pesquisar sobre as moedas de um país, sobre seu salário mínimo e de que forma esse valor se torna possível para que essas pessoas vivam, por exemplo.
Este aprendizado sobre gestão monetária tornou-se um assunto muito necessário quando entendemos que o salário mínimo do país em que vivemos está abaixo de R$2.000,00. Em contraste, a facilidade que este jovem vê ao fazer apostas é capaz de encantá-lo.
A resposta está no ensino. Apostar envolve perda. Os jovens precisam debater investimento. Não apenas monetário, mas investimento na carreira, intelectual e na vida também.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/lei/l15100.htm
https://porvir.org/bets-nas-escolas-o-papel-da-educacao-financeira-riscos/