O papel da leitura na era da informação instantânea

O papel da leitura na era da informação instantânea

Por Estevão Gomes Marques

 

“A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede.”

Carlos Drummond de Andrade

 

É comum, quando criança, ouvir dos responsáveis que é necessário ir para a escola para que possamos aprender a ler e escrever. O letramento é o nosso ponto de partida. Logo cedo começamos a ser alfabetizados para que, então, possamos aprender a ler. Mas o que seria da leitura sem a interpretação? O que acontece quando a criança não tem a possibilidade de viver os mundos dos livros infantis? Saber ler possibilita viver o mundo através dos próprios olhos e não as versões de outras pessoas.

Conforme os dados da sexta edição (2024) da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), 53% da população declara não ter lido nenhum livro em um período de três meses. Esse dado choca por representar mais da metade, mas traz à tona a realidade de como o brasileiro faz para entender e buscar uma visão de mundo, tanto em informação quanto em lazer. Por exemplo, tendo um pouco de conhecimento digital, é possível, com poucos cliques, desbravar um site na internet; mas e se colocarmos à prova a leitura e a organização de um jornal impresso, seria fácil assim?

A pesquisa do IPL não nos fala apenas de uma falta de prática de leitura, mas de uma realidade que já quase não existe: a de parar, sentar e apreciar um livro. De 2007 a 2024, o número de pessoas que não têm paciência e foco para a leitura saltou para 40%. Podemos entender esses dados como uma reflexão das informações instantâneas que recebemos nas redes pela internet.

As novidades tecnológicas são mundos que se expandem a cada instante e estão a um clique de distância. Mas é necessário descobrir a profundidade da “escrevivência” de Conceição Evaristo, enxergar o “homem cordial” de Sérgio Buarque na sociedade, viver o Brasil pelas páginas de Iracema, imaginar o tanto de pernas que tem no bonde do Carlos Drummond de Andrade e, também, descobrir quem é o seu favorito nos gibis da Turma da Mônica.

A esperança, é claro, reside no local dos primeiros passos: a escola. Atualmente, com a visão que temos do professor como mediador, a missão está em direcionar os jovens da melhor maneira possível. A realidade interconectada já existe. Não falamos mais tanto sobre ensinar as crianças nesse meio, mas sobre instruí-las. Sendo assim, é o momento de tirar cada vez mais proveito do que as escolas e professores trazem nas propostas dos mundos literários.

Não estamos falando de retrocesso, mas de utilizar, com maestria, a navegação de hoje para desbravar aquilo que já é conhecido e pode gerar resultados incríveis.

 

Referências:

https://g1.globo.com/educacao/noticia/2024/11/19/o-brasil-que-le-menos-pesquisa-aponta-que-pais-perdeu-quase-7-milhoes-de-leitores-em-4-anos-veja-raio-x.ghtml

https://www.prolivro.org.br/wp-content/uploads/2024/11/Apresentac%CC%A7a%CC%83o_Retratos_da_Leitura_2024_13-11_SITE.pdf

https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/02/06/leitura-tem-queda-dramatica-e-preocupante-pelo-mundo.ghtml

https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2025/10/cultura-da-leitura-em-declinio-e-o-avanco-do-analfabetismo-funcional-no-brasil