Em que momento o cérebro eletrônico entra na sala de aula?

Em que momento o cérebro eletrônico entra na sala de aula?

Por Estevão Gomes Marques

 

 

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”

Nelson Mandela 

 

Capaz de aterrorizar alguns e levantar o ânimo de outros, a realidade é que o mundo interconectado já adentrou os portões da escola. A questão é, se nós, educadores, não tomarmos as rédeas e nos tornarmos verdadeiros mediadores, o que será dos nossos alunos no meio dessas atualizações?

“O cérebro eletrônico faz tudo

Faz quase tudo

Faz quase tudo

Mas ele é mudo”

Cérebro eletrônico, Gilberto Gil

Presente em nosso meio há alguns anos, a internet não é novidade para ninguém. Mas, com o passar do tempo, as coisas que ela nos traz sempre se renovam. É quase impossível dizer que nunca ouviu alguém orientando que fosse feita uma pesquisa na “IA”. Pesquisas essas que geram uma resposta e ajudam, de certo modo. Mas essa é a educação que nós devemos trazer nas escolas? Perguntar para a IA e receber uma simples resposta? Como já dizia o Gil, o cérebro eletrônico faz quase tudo.

Homologada em 2022, a BNCC computação é um documento que torna obrigatório o ensino de computação e pensamento digital em todas as etapas da Educação Básica no Brasil. Isso não significa que os nossos alunos serão entregues às telas de forma livre, mas que as crianças deverão receber uma educação de como utilizar a computação com atividades desplugadas e plugadas também. Vale citar os exemplos que temos aqui dentro da nossa empresa. A professora Débora, dentro de suas palestras, traz, por exemplo, a dinâmica “Eu sou robô”, que consiste em dar direções para que um colega consiga executar as ações a partir do que ouve. Isso nada mais é do que uma atividade de pensamento computacional fora das telas.

Ao mesmo tempo que esse debate abre portas para novas formas de enxergar a educação, é possível pensar sobre um ponto: todas as escolas têm a oportunidade de oferecer essa educação para seus alunos? Eu acredito que encontramos a resposta para essa pergunta dentro do que nós já debatemos um pouco neste texto. Mas, essa é uma luta que precisamos acompanhar de perto. No dia 1° de Setembro deste ano, o CNE (Conselho Nacional de Educação) trouxe diretrizes nacionais para orientar o uso da inteligência artificial (IA) nas instituições de educação básica e superior. Os institutos, a partir deste momento, recebem uma régua que mostra o que é humano e o que é da máquina, por exemplo.

Dentro desse debate, é necessário que toda escola tenha uma infraestrutura digital mínima para que o acesso ao digital não seja desigual. Mas, como a máquina sozinha não faz o seu trabalho, é necessário que o ponto mais importante dessa equação esteja muito bem preparado: o professor. 

Nós precisamos formar docentes para ir além de apenas operar as máquinas e plataformas. É necessário que recebam uma formação continuada para que esse aluno tenha possibilidade de viver e ser um cidadão na sociedade atual. 

Nós podemos, é claro, citar o projeto da professora Débora Garofalo que através do projeto “Robótica com sucata” atingiu várias crianças. Mas, além deste, temos como exemplo, um projeto criado nas favelas do Rio de Janeiro chamado “Vai na Web”,  uma escola de tecnologia com aulas gratuitas de programação para jovens. Esse é um projeto que nasceu dentro das favelas e, hoje em dia, já atinge jovens em São Paulo também.

A discussão em questão, então, chega a um ponto que retomo a frase do Nelson Mandela e que considero muito importante: a educação é capaz de mudar o mundo. Nós, educadores, temos a capacidade de guiar os jovens dentro de um mundo que já é deles.

Não basta apenas a tecnologia. Sem a intencionalidade pedagógica, o objetivo educacional não é atingido.

 

Referências:

https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/ia-nas-escolas-a-tecnologia-pode-aumentar-as-desigualdades/

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/10/projeto-criado-em-favelas-do-rio-leva-educacao-digital-para-jovens.shtml

https://vainaweb.com.br/

https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/2026/maio-2026/texto-referencia-inteligencia-artificial-consulta-publica.pdf