Educação midiática: leitores críticos do mundo

Educação midiática: leitores críticos do mundo

Seria a proibição do uso dos celulares no ambiente escolar suficiente?

Vivemos uma era em que a informação circula em velocidade recorde, alcançando crianças e adolescentes a todo instante, muitas vezes antes mesmo que adultos tenham tempo de compreender, filtrar ou mediar. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2023, 93% dos brasileiros entre 9 e 17 anos acessam a internet, sendo 79% usuários diários. Os conteúdos mais consumidos? Vídeos, redes sociais e mensagens instantâneas, justamente os canais onde mais se disseminam desinformações, discursos de ódio e conteúdos manipulados.

Apesar de muitas redes sociais exigirem idade mínima para uso, na prática, esse controle é frágil e o problema vai muito além do simples descumprimento de uma regra. Crianças, por natureza, ainda estão em processo de desenvolvimento cognitivo e emocional e por isso, não possuem sozinhas a maturidade necessária para lidar com os impactos do ambiente digital. Estímulos visuais intensos, conteúdos persuasivos, algoritmos que reforçam bolhas de pensamento, a lógica da viralização entre diversos outros perigos são elementos que moldam comportamentos de forma silenciosa, porém poderosa.

Mais do que controlar o acesso a todo custo, é preciso formar gradativamente leitores críticos do mundo, sujeitos capazes de interpretar, questionar e consumir conteúdos com ética e responsabilidade. A alfabetização midiática precisa fazer parte do currículo escolar, não como algo pontual, mas como um eixo transversal que prepare crianças e adolescentes para navegar com consciência no mundo digital.

Formamos leitores de livros, mas estamos formando leitores críticos da mídia? ⚠️

Se a internet oferece tantos riscos, onde nossos alunos encontram um espaço verdadeiramente seguro nela? Quem irá guiá-los pelos caminhos confiáveis de aprendizagem nas múltiplas mídias disponíveis? Embora a BNCC mencione a educação midiática de forma transversal, a ausência de diretrizes claras, materiais adequados e formação docente específica dificulta sua aplicação efetiva no cotidiano escolar e sem percebermos o tema acaba perdido em meio a tantas outras demandas.

Será que a escola, como agente formador e com toda a sua responsabilidade social, ainda poderá se manter à margem dessa realidade? Esse é mais um dos grandes desafios que enfrentamos mas que não podemos mais ignorar!
Reconhecer essa urgência é um grande passo para o início de uma jornada de aprendizagem disruptiva, pautada em um compromisso profundo tanto com o desenvolvimento do indivíduo quanto com toda uma sociedade.

Como dizia Paulo Freire, “A leitura do mundo precede a leitura da palavra.
Estamos formando estudantes capazes de compreender o mundo atual ou apenas consumindo-o sem filtro?

Este texto faz parte de uma série especial “Desafios Atuais da Educação Brasileira”. Ao longo de cinco publicações exclusivas, vamos mergulhar em alguns dos principais entraves da educação no Brasil atual, sempre com um olhar crítico e propositivo.
Os temas foram construídos a partir de perguntas provocativas, escuta ativa das realidades escolares e análises fundamentadas em dados e práticas concretas. Cada publicação, conta com reflexões instigantes, evidências atuais e propostas de ação, em um convite aberto ao diálogo e à corresponsabilidade de todos que acreditam no poder da educação para promover um futuro mais justo, inovador e acessível. Acompanhe os próximos capítulos.

👉 Se você é educador e também enfrenta esse desafio, compartilhe essa reflexão com quem constrói e inspira o futuro da educação.

Por Mayara Lima – Pedagoga, especialista em Educação Corporativa e Tecnologias Educacionais.