O professor ainda tem uma solidão dentro da sala de aula. Falta apoio e escuta!
Países em desenvolvimento enquadrados no conceito de Sul Global, como o Brasil, enfrentam desafios mais complexos na educação pública em comparação às nações do Norte Global. Para promover uma melhora significativa na qualidade do ensino, especialistas destacam a importância do engajamento direto de lideranças políticas — em todos os níveis, federal, estadual e municipal — nas políticas públicas de educação, além da escuta ativa dos professores para compreender os desafios reais das salas de aula.
Essa foi uma das principais conclusões de Anna Penido, diretora-executiva do Centro Lemann e Débora Garofalo, professora e especialista em Educação, durante a live “Educação e desenvolvimento: o que o Sul Global tem a aprender e ensinar”, transmitida pelo Valor em parceria com o Valor Social, área de responsabilidade social da Globo.
Segundo Anna Penido, é essencial que prefeitos e governadores também atuem como embaixadores da educação: “São eles que tomam as decisões de orçamento e podem blindar a educação de interesses políticos. Quando as lideranças verdadeiramente se comprometem com a melhoria do ensino, a mudança acontece.”
A diretora reforçou que o Centro Lemann tem trabalhado para aproximar lideranças políticas do debate educacional, evitando que o tema seja tratado apenas em períodos eleitorais: “Estamos tentando chamar as lideranças políticas para esse debate, para que a educação não seja um tema apenas de especialistas”, destacou Penido.
Contudo, o assunto não ficou somente na pauta política, Débora Garofalo, primeira mulher brasileira e primeira sul-americana finalista do Global Teacher Prize, ressaltou a falta de continuidade nas políticas públicas como um dos maiores desafios para os docentes. “Começamos a nos dedicar a uma política pública e, quando muda o governo, ela é abandonada. Isso prejudica o trabalho de quem está na sala de aula”, afirmou.
Garofalo também apontou a importância de incluir os professores nas discussões sobre políticas públicas, salientando que esse ainda é um assunto não discutido no dia a dia do professor e que isso deve ser amplamente compartilhando com quem está na sala de aula. Ainda afirmou: “O professor ainda tem uma solidão dentro da sala de aula. Ele não é ouvido sobre esses aspectos para poder liderar essas frentes.”