Série desafios atuais da educação brasileira: Educação Integral e Tecnologia
A ampliação do tempo escolar tem potencial transformador, independentemente das particularidades que cada município enfrenta para tornar essa rotina uma realidade.
E se pensássemos na educação de tempo integral não apenas como ampliação da jornada, mas como uma oportunidade real de aliar inovação pedagógica e uso intencional da tecnologia?
Segundo o Censo Escolar de 2024, 22,9% dos estudantes da educação básica pública estão matriculados em escolas de tempo integral. Um avanço significativo comparado aos 18,2% de 2022. Parte desse crescimento se deve ao Programa Escola em Tempo Integral, que já investiu mais de R$ 4 bilhões para apoiar os estados e municípios na criação de novas matrículas. A escola de tempo integral já é realidade!
Apesar do tamanho investimento sabemos que ampliar a jornada escolar por si só não é garantia de qualidade. É necessário qualificar esse tempo com práticas pedagógicas inovadoras, conectadas ao desenvolvimento integral dos estudantes e ao mundo em que vivem.
Afinal, em que mundo estamos vivendo?
Olhe em volta, estamos todos conectados! Rodeados por tecnologias que transformam a forma como aprendemos, nos comunicamos e existimos. E a escola? Tem acompanhado esse movimento ?
É justamente nesse contexto que a educação em tempo integral se apresenta como uma oportunidade potente e real de inserir com protagonismo, tecnologia, robótica educacional, projetos de cultura maker, laboratórios digitais e metodologias ativas mediadas por recursos tecnológicos. Com mais tempo, é possível aprofundar aprendizagens e desenvolver competências digitais com propósito e sentido.
Contudo o uso pedagógico da tecnologia na rotina escolar ainda enfrenta desafios em diversos contextos, como a falta de capacitação adequada dos professores, infraestrutura insuficiente, currículos desatualizados, limitações financeiras, resistência às mudanças nas práticas escolares, além da ausência de políticas articuladas para apoiar esse processo.
– O tempo integral tem sido pensado como espaço de inovação curricular ou apenas como tempo a ser preenchido?
– A expansão da jornada vem acompanhada da ampliação de infraestrutura e recursos?
Incluir as propostas de tecnologia educacional na escola de tempo integral é mais do que ofertar ferramentas, é construir condições para que a inovação faça sentido no cotidiano escolar, promovendo um aprendizado alinhado com o mundo em que vivemos.
Vale lembrar que o Brasil é um país diverso, marcado por contextos e realidades muito distintos entre regiões, estados e comunidades escolares. Diante desse cenário, surge uma reflexão importante: como a tecnologia tem sido (ou não) implementada na educação em tempo integral na sua região?
Mais do que um debate, este é um convite à construção coletiva. O futuro da educação é resultado das escolhas que fazemos hoje, e a troca de experiências é fundamental para ampliar caminhos e soluções possíveis.
Este texto faz parte de uma série especial “Desafios Atuais da Educação Brasileira”. Ao longo de cinco publicações exclusivas, vamos mergulhar em alguns dos principais entraves da educação no Brasil atual, sempre com um olhar crítico e propositivo.
Os temas foram construídos a partir de perguntas provocativas, escuta ativa das realidades escolares e análises fundamentadas em dados e práticas concretas. Cada publicação, conta com reflexões instigantes, evidências atuais e propostas de ação, em um convite aberto ao diálogo e à corresponsabilidade de todos que acreditam no poder da educação para promover um futuro mais justo, inovador e acessível. Acompanhe os próximos capítulos.
👉 Se você é educador e também enfrenta esse desafio, compartilhe essa reflexão com quem constrói e inspira o futuro da educação.
Por Mayara Lima – Pedagoga, especialista em Educação Corporativa e Tecnologias Educacionais.